"eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço"
(Caio F. Abreu)
(Caio F. Abreu)
Sem pretensão alguma, deixou que ele tomasse conta dela. Não perguntou nada além do óbvio, perguntas clichês de quando se conhece alguém. Horas e horas de conversa. Papo de botequim cheio de risadas e detalhes que se combinavam cada vez mais. Coincidências. Seu azul era fascinante, mas ela não estava disposta a se render assim.
Ele era como avenca que crescia sem parar, tomando conta de cada recanto dela. Perdia o controle e só sabia gostar. Tudo era agrado e não havia ponto que gostasse menos. Era todo perfeito a seus olhos. Juntos, cultivavam seu jardim de lírios brancos e cerejeiras róseas. Eles eram, também, flores. Formavam, aos poucos, um casal. Culpa dele, ela dizia.
No encontro deles, tão esperado, foi impossível não tornar-se um pouco louca. Ele havia crescido de tal forma que era impossível arrancá-lo de dentro dela e nem ela queria isso. Abria todas as portas e janelas só para que ele crescesse mais e mais, sem fim. Para sempre. Tudo servia de alimento para seu amor.
Em uma noite distraída, uniram-se ainda mais. A voz dele mostrava a direção e ela seguia. Ele conseguiu, tomou de vez o corpo dela e nada mais os separaria. Eram um só, o sentimento. Amaram-se ainda mais enquanto lá fora, mais uma estrela dormia.




